Há poucos dias percebi quão verdadeiro é esse ditado. Aconteceu enquanto visitava um dos maiores hospitais de Durban, onde alguns outros missionários da Família e eu trabalhamos como voluntários alguns dias por semana.
Antes de cada visita, pedimos para o Senhor nos conduzir aos que Ele quer que conheçamos, aqueles em maior carência do Seu amor e consolo. Desta vez foi um senhor na ala de oncologia e a sua esposa.
Ele estava sozinho no quarto quando entrei. Seu rosto se iluminou quando lhe ofereci um pôster com textos do Evangelho. Que linda foi aquela luz!
O câncer havia destruído o seu maxilar e ele se submetera a uma cirurgia de reconstituição, usando para isso metade da sua língua e o osso de uma de suas costelas. Ele estava impossibilitado falar, mas seu rosto continuou brilhando, mesmo quando disse, através de mímica, que em breve morreria e iria para o Céu.
Alguns momentos depois, a esposa entrou. Ela não compartilhava da mesma fé e otimismo do marido. O rancor lhe havia corroído o espírito como um câncer.
Disse que fora cristã, mas que perdera a fé quando o Senhor a abandonou. Sem dúvida que, no seu modo de ver, Ele a havia abandonado e não a amava, caso contrário nunca teria lhe permitido passar por todo esse sofrimento.
Escutei-a contar a sua história e meu coração se inundou de compaixão por ela.
Ela tinha cinqüenta e poucos anos, mas já havia perdido o primeiro marido e todos os quatro filhos. Quando este homem, o seu segundo marido, ficou doente há alguns anos, teve que vender sua empresa e ela teve que deixar o emprego para cuidar dele. Ficaram sem nada. Ela mesma precisou de cuidado médico, mas não pôde sequer pagar a taxa de inscrição de dois dólares que o hospital público cobra.
Dei-lhe um dinheirinho e expliquei se tratar de um pequeno sinal do amor do Senhor por ela. Ela continuou me contando os seus problemas. Eu a escutei e tentei lhe assegurar do amor do Senhor: "Embora às vezes não entendamos os caminhos de Deus," — disse-lhe — "Ele prometeu nunca nos deixar nem abandonar. No fim veremos que Ele cumpriu a Sua promessa".
Depois de uma hora, o seu rosto começou a enternecer. No final da nossa conversa, aquela quase extinta brasa de fé havia sido abanada de volta à vida.
Expliquei-lhe que a fé vem da Palavra de Deus e que a Bíblia está repleta de promessas de nosso Pai, e que ela pode tomar posse delas quando orar para si e para o seu marido. Dei-lhe também uma lista de versículos-chave para ler, meditar e reivindicar em oração.
Os problemas dela não tinham mudado naquelas duas horas, mas ela encontrou fé para enfrentá-los. Para alegria do marido, o rancor e o medo que ela sentia foram substituídos por fé no Seu amoroso Salvador.